segunda-feira, novembro 13, 2006

Teatro

Sim é teatro. É teatro a vida de cão que carregamos, e que nos roi infinitamente os ossos. É teatro a máscara que se entranha na pele do “politicamente correcto” Primeiro estranha-se depois entranha-se. Bendita água suja do imperialismo, que nos inunda as entranhas. Sim é teatro. E se as árvores não morrem de pé, morrem queimadas. É teatro. E se fingo amar-te é teatro. E se não o fingir também é. É teatro querer escrever poemas. Sem ser poeta. Ser poeta é teatro. São as lágrimas que apagam as máscaras e fazem subir o pano. São teatro. É a gargalhada contida e o esgar de dôr da náusea existencial, é teatro. É um querer incontido de quer pensar a peça. E pedir que começe a cena. É teatro. É a fuga constante dos relógios apressados. E a noite chega. Estou só. Como nunca. Tiro a máscara. Acabou a peça. Deixa-me ouvir o silêncio do teu aplauso.

2 comentários:

isabel disse...

Sublime!

Bandida disse...

Bravo!






abraço!
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