sábado, novembro 25, 2006



outra viagem me espera
a liberdade
adeus amores e desamores
estou além de mim
já não estou
choro apenas



Libertei os lobos, 
devolvi-te a liberdade

sexta-feira, novembro 24, 2006

Chocolat - No names



...(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
...Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)...


                           Álvaro de Campos
Sem aparente razão
a noite veio mais
cedo.
As abelhas largaram 
as asas
e foram a pé.
Ficou no mel
A doce vertigem
de querer
mais.

quinta-feira, novembro 23, 2006

 

 

quero-te tanto que dói
são lágrimas apressadas
na pressa de te ter.
toco-te
rasga-me a roupa
toca-me
não quero falar do amor
quero só falar-te
sentir-te 
totalmente
num eterno dilúvio
num espasmo
em ti
em mim
dentro de nós
não quero dizer amo-te
quero só estar contigo
dá-me só um beijo chega-me 
mais do que isto.
sente-me.... amanhã
depois de amanhã
tenho pressa do teu corpo.
de fazer contigo o que está por fazer
abraça-me porque te sinto fugir
pede-me que não vá
e eu não vou.
dizes-me que urge o amor
porque me desespera a espera
não te firo
trato as tuas feridas 
deixa-me cuidar de ti
deixa tratar-te as feridas
deixa-me estar contigo amanhã
quero.....te
 
 
 

quarta-feira, novembro 22, 2006

Digo-te adeus como se a despedida
fosse real.
Como se houvesse alguma verdade, 
Nesse adeus.
Como se não houvesse mais...
Perguntas-me se volto e nem sequer chego a ir 
Prendes-me 
... volta,volta-te, volto-me para ti, em ti 
abraça-me como disseste
...volta-te amor, em mim  

terça-feira, novembro 21, 2006

Dizes-me que sentir
É ver por dentro.
Vês? 
Eu vejo-te...
...vê-se tudo...
 


















Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

                                        Alberto Caeiro

 


segunda-feira, novembro 20, 2006

Há muito tempo não amanhecia como hoje.
Brilha mais sol semi-nublado.
E leio as palavras que soltei, em ti. 
Tocas, escreves as tais palavras.
Afogas-me o olhar, de tanto te querer
ver.
Hoje há um outro sentido. Não sei se é o sexto.
Se é o sétimo. Não sei que número tem.
Não está nos manuais de estudo.
É tão novo, e tão meu, que quase assusta.
Não sei descrevê-lo, não sei pensá-lo.
Sinto-o apenas.... e parece que não preciso
de ( quase) mais nada...
 




Hoje há em mim um outro
escrever que devolve o sonho.
Não partas agora que eu estou a chegar.
Só para estar contigo.
Para te mostrar o sonho. 
Para te ver sorrir. Como há muito não o fazias.
Olha, volta não vás embora. 
Eu faço-te rir. Conto-te histórias.
Leio-te Álvaro de Campos, 
ou "Desassossego" que tanto gostas.
Não partas. Vamos ver Fassbinder ou Visconti. 
Eu sei que gostas.
Não chores... Eu faço-te rir. Vá vem daí comigo. Vá dá-me a mão.
Vá vamos, senta aqui bandida. Diz-me a verdade, ou uma mentira.
Diz o que quiseres. Não faz mal. 
Vá vamos por aí.
Olha estou quase a chegar ... Espera não vás....

domingo, novembro 19, 2006

Lisbon revisited (1926)

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infãncia pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

                                    Álvaro de Campos




here's to you...

 

   

 

from  ....

 

 

All by myself

Zero...

......E eis que chega o zero. O zero à esquerda, porque é assim que escrevo... Eis as interrogações todas matinais Mais uma vez não sei as respostas. Perco-me nesse jogo. ...Um dia destes terei que te descobrir

sábado, novembro 18, 2006

puzzle

Fractais

É um desassossego aritmético Que me multiplica Que te divide Que me subtraí horas de sono Adicionas E chego ao lado imaginário Dos números complexos. A raiz Bestialmente quadrada De menos um Dia sem ti

Dia J

J & J

Good

Morning

Vietcong

sexta-feira, novembro 17, 2006

Bolonha

Hoje vou escrever, sobre outras emoções que também farão chorar as pedras da calçada. Um dia destes recebi um mail de uma colega da faculdade, que pelo vistos enviou o mesmo a todos os colegas, apelando a todos que no dia 15 fossemos vestidos de preto. E porquê? Para protestar contra o processo de Bolonha. E agora eu pergunto o que é que a côr da roupa tem haver com tudo isto? Não sei. Bem, parece que está tudo descontente. Porque agora temos que trabalhar mais. É verdade. E também é verdade que um português, que se preze, não gosta muito de o fazer ( é evidente que há muitas excepções). Nós por cá, queremos muito, muito sair da “cauda da Europa”. Desde que não seja preciso trabalhar muito. Queremos o mestrado integrado, com licenciaturas de três anos. Mas talvez até podessem enviar-nos o “canudinho final”, para casa, ou melhor por mail ( em formado pdf, para não sobrecarregar o sistema). É claro que é muito dificil, principalmente para quem trabalha e estuda e escreve em dezenas de blogs ( eu, por exemplo), entre muitas outras coisas, conseguir fazer tudo isto nas curtas 24 horas do dia. Mas também ninguém me obriga a fazê-lo. É claro que devemos lutar pelos nossos direitos sempre, e em todas as circunstâncias. Mas não temos também de estar conscientes dos nossos deveres? Não deveriamos antes de iniciar pseudo revoluções, esperar e tentar adaptarmo-nos às novas situações? Porque é que não nos revoltamos quando nos informaram que iamos ser integrados no processo de Bolonha? Porque é que ficamos todos contentinhos quando soubemos que a licenciatura seria de 3 anos e dois de mestrado? Ter-nos-á passado pela cabeça, que iria ser mais fácil? Nessa altura é que nos deviriamos ter manifestado, de preto, de branco, de vermelho, ou até mesmo todos nús ( que era muito mais fresquinho). Mas não. Nessa altura estava tudo meio aluado a sonhar com o Dr antes do nome próprio. E eu bem avisei que não ia ser fácil. E não é o trabalho que me assusta. Pois já o conheço bem de outras guerras, ou lutas como queiram. É a falta de tempo. Mas se coordenar-mos bem as coisas, a coisa vai. Agora não me peçam para entrar em lutas sem sentido. E não se esqueçam, que os professores, conforme a colega disse, e bem, também têm muito mais trabalho. Enfim todos temos que trabalhar um pouco mais. Ou mesmo muito mais. Mas não acham que isso já deveria ter acontecido há mais tempo. Acham que há algum valor no que é gratuito? Acham que a cauda da europa é só uma questão geográfica? Não é caros colegas. E apesar de termos acordado tarde, não significa que fiquemos o resto do tempo à espera do D. Sebastião, que nos salvará a todos e virá num dia de nevoeiro. Posso garantir-vos que ele não vem. Portanto é melhor começar-mos a fazer alguma coisa. E tentar, só não chega. É preciso FAZER.

quarta-feira, novembro 15, 2006

......

Deixa o gelo Em brasa... De cabeça perdida. O fósforo. Gelado. semi-frio .... já é verão?

ESTOU A ESCREVER PARA TI !!!

Não, não sou especial. Como tu gostavas. E se o fosse, também não seria o suficiente. Não sou artista. Não sou poeta. ESTOU A ESCREVER PARA TI! Escrevo por vezes, até, sem aparente sentido. Não, não tenho o Dr. antes do nome, nem Eng. Só tenho o meu nome. Não me importo. Não pertenço ao teu grupo de amigos. Não pertenço ao teu grupo de colegas. Não te perteço. Não vires a página. Não me leias em diagonal. ESTOU A ESCREVER PARA TI! Desculpa se já não me lembrar De escrever cartas de amor. De não me lembrar de desenhar nas paredes Corações trespassados por setas tortas. Desculpa por não ter um e-mail dizendo, amote-oteunome@qualquercoisa.qq. Não, não me importo que te rias. Ri-te, mas lê até ao fim. ESTOU a ESCREVER PARA TI! ESCUTA-ME, OLHA-ME. Não, não me conheçes. Não te lembras de me conheçer. Não te importa. Nem sequer escrevo muito bem. Ao teu gosto. Não gostas do que escrevo. Não importa... Talvez eu devesse ter tido Uma carrada de filhos Talvez eu devesse passar os domingos No sofá de barriga emprenhada de cerveja, Ao som do relato futebolistico. De telecomando numa mão e a garrafa Na outra. Talvez a única palavra começada por “a”, Que eu ousasse dizer, fosse um rebuscado Arroto, entre cervejas. Talvez eu devesse ser outra qualquer Pessoa que não eu. Talvez me lesses. Talvez me olhasses. OLHA !!!! ESTOU A ESCREVER PARA TI !!! Talvez eu devesse acreditar em deus, E suplicar que te desse o dom de adivinhar. De me adivinhares. Mas não acredito. Nem sei rezar. Nem faço promessas. Não te posso prometer nada. Não tenho nada para te dar. Não, não é amor.... É muito mais, não sei quê Espera um pouco... Diz-me...