domingo, agosto 20, 2006

Folhas

Não consigo deixar de ouvir este som. Transporta-me. Estás algures mas não importa. Quase vejo o que está para além do que está à vista. E tu não sabes. E eu talvez já não queira saber... Xeque-Mate!

Jazz

Hoje ao som do Jazz. Lembro os velhos tempos. O Ritz Club, a minha amiga brasileira e o seu companheiro catorze anos mais novo. Também podia ser mais velho. Tanto faz. Eram noites divinais. Estávamos cheios de nós, o mundo despertava em cada inspiração eramos ricos e o mundo só nosso. Mas partimos. Hoje não sei bem o que ficou. Ficou o Jazz e os Blues. Ainda cá estamos também. Que jamais nos esqueçamos.

Vagueando

Vagueava pela praia. Como se não houvesse mais nada. Como se fosse o último lugar de um mundo perdido e distante. Como se tudo fosse o último. E veio a maré baixa. E chegou a maré alta. Alta baixa, baixa alta. Apenas maré. A introspecção era algo estampado no seu rosto iluminado. Talvez pelo sol. Talvez por qualquer outra iluminação. Um despertar budista? Não a filosofia não era para aqui chamada. Nada que de “ias”, “ismos”, nem quaisquer outros sufixos. Estaria apenas a reflectir. Em quê? Para quê? Enfim... Um passatempo. Mas havia uma revolta latente. Um grito surdo apertado na garganta. E os personagens começavam a desfilar pelos grãos de areia. “No jobs for de boys”. Riu-se. Agora só empregos para bois, camelos, ursos, galinhas, aves raras, outras de rapina, vermes, viboras. E não se lembrando de mais nenhum termo zoológico, pensou no belo jardim onde se plantara. Nas raízes que criou, nas ervas daninhas que proliferam, e onde jardineiros não entram. As flores de estufa transmutam-se em cactos espinhosos. Há é verdade, esquecia-se dos sapos. Os que se têm que engolir. É normal. Mas quem os engolir também terá que os cagar. Não é assim? E a merda é sempre a mesma. E lá vão as galinhas loucas esgravatar na dita e alguns porquitos espojar-se na mesma. Mas as moscas vão mudando. Se é que isso pode aliviar alguns espíritos mais despertos. Voltou a rir-se. E começou a apanhar conchinhas. É um pouco estúpido. Mas pelo menos... Lembrou-se depois de alguns umbigos. Os de gabinete. Já que os outros estavam apenas nas barrigas de cada um. Pressupõem-se. Tanto tempo passado, nisto. Vale mais estar de cu para o ar a apanhar conchinhas. Mas é uma posição perigosa. Mergulhou. Não meteu água. Agora sobre a areia quente, a temperatura aumentava, e alimentava o desejo de partir. Não para parte incerta. Partir a tromba de alguns não elefantes, mas de outros. Não valia a pena. Seria a hora de largar tudo? Mudar de vida? Qual vida? A vida é sempre a mesma. Mudar de praia? Bem, ficou por ali. Pelo menos é sábado. Como se isso fosse muito importante. Bem não estava no jardim zoológico (o tal) já não é mau. Surgiram espontaneamente os tempos orientais. Hum.... Sentiu que estava alguma mudança e processar-se a passos largos. Mergulhou. Secou. Voltou a casa. Ouviu música. Sentiu música. Meditou. Isso era importante na sua vida. O mais importante. Vagueava. Mas sempre seguindo o caminho. Sempre. Mas onde estão os outros? Parece um caminhar solitário, porque o é. Cada um tem o seu Tao. E o Tao é igual em todos. E depois não fez mais nada. Viu televisão, sem sentido. Adormeceu. Talvez tenha sonhado. Despautérios não freudianos. Não queria pensar em Freud. Lembrou Nietzsche o super-homem, a morte de Deus e do homem. E chegou a Antropologia filosófica até à hora do jantar. Fez o jantar. Saladas, sopas. Comeu obviamente. Depois lá veio a televisão. E desligou-se. Quando o sol nasce, e o mau humor se instala, depois de alguns cafés e cigarros, chega a vontade de mudar o mundo. Mas qual deles? Há tantos... Aquele o tal. E ainda é Domingo. Detestava os Domingos. Mais uma semana igual. Largar tudo. De um dia para o outro. O dia aproxima-se. Sente-se em cada pulsação, é uma pulsão. O limite avista-se. Não se sabe se ao longe, se já ali ao fundo. Avista-se. E chegam as experiências. Dos que nada sabem sobre o método experimental. E a experiência acaba mal. A revolta, a indiferênça, o vazio. O ordenado mal pago ao fim do mês. Os oportunistas. Não lhe apetece fazer nada. Bestial. Apetece-lhe ser uma besta e dar-lhes vários coiçes. Só para os acordar. Agora, eu também vou dormir.

Mais Zen

“ Em vez de escutar o som de Hakuin de uma mão a bater palmas, batam palmas com as duas mãos e façam qualquer coisa! Neste mundo em que as palavras não permanecem de todo, como o orvalho não permanece nas folhas, o que hei-de dizer para a posteridade?”

Poema Zen

“ Quando nos sentamos a meditar; vemos as pessoas indo e vindo pela ponte da avenida como árvores enraizando-se profundamente nas montanhas. Quando nos sentamos a meditar, Vemos as pessoas indo e vindo pela ponte da avenida exactamente como elas são.”

sexta-feira, agosto 18, 2006

Diálogos

Sem comentários

segunda-feira, agosto 14, 2006

Olhares

“Os meus olhos são uns olhos e é com esses olhos uns, que vejo no mundo escolhos. Onde outros com outros olhos, não vêem escolhos nenhuns.”

Abismo

“Existe um abismo entre aquilo que sou e aquilo que quero ser. E quanto mais quero ser aquilo que sou maior se torna o abismo entre aquilo que sou e aquilo que quero ser.”

Invenções

“...porque o amor se inventa, é necessário a luz. Se os morcegos voassem de dia, como poderiamos amar as águias?”

Um dia

“...um dia virá em que uma simples cenoura que um pintor, viu com olhos de pintor, originará, uma revolução”.