quinta-feira, julho 27, 2006

Viva o tofu !!!

Para os menos “orientalizádos”, tofu é um alimento proveniente da soja. Não me apetece entrar em mais detalhes. É bom e pronto. Porquê este elogio ao tofu? Porque queria escrever algo que se parecesse com uma receita culinária, mas sem quaisquer ingredientes. Pois não há pachorra q.b. Hoje estou sem pachorra para o que quer que seja. E depois oiço umas barbaridades aqui outras ali, e tento que a tampa não me salte. Lembro-me sempre (ainda bem) de relativizar. Não sei se pela formação académica, se porque me disseram que não há nada como relativizar. Ainda há pouco tive obrigatóriamente de escrever sobre este conteúdo, embora de forma muito mais poderada. Coisa que agora não necessito de fazer. Pois este é um tempo “bem passado”. Porque me apetece. Quando e somente me apetece. Ri-mo-nos a bandeiras despregadas. E lembro-me, do chamado desporto rei (não estou a falar do anterior rei Camões). É isso mesmo de futebol. Desde já afirmo com plena assertividade que nada entendo sobre o assunto. Como tal posso dar-me ao luxo de aqui despejar a panóplia de despautérios, que me apraz digitar. Tudo isto surge quando digitei a palavra bandeira. Todos somos comunitária e solidariamente embandeirados, quando surge um campeonato extra nacional de futebol. E todos transbordamos de pseudo-orgulho luso, que logo se esvai, mal estes terminam. Passamos a odiar-nos. A nós e aos outros. A tudo o que esteja vivo, ou não dentro do nosso espaço nacional e fora dele. Mas não sem antes, esbraçejar-mos, completamente possuídos, embora não “demoníacamente”, com um quarto lugar que tão árduamente conquistámos. Claro que se ficassemos em último seria muito pior. Mas não há aqui uma qualquer histeria, algo até mais patológico, em torno deste fenómeno? Este bienal brainstorming, não suscita grandes dilúvios intelectualizados. Por isso volto ao tofu. Se por acaso tentarem cozinhá-lo, não esqueçam de o colocar dentro de água cerca de dez minutos antes. Depois é usar a imaginação e devorá-la. E por agora gritemos roucamente em uníssuno: “Viva o tofu !!”

Porquê deixei de fumar...

Deixei de fumar, exactamente pelo motivo pelo qual começei. Ou seja porque me apeteceu. Não querendo transportar-vos para um mundo de lamentações, navegando por torturosos mares em que por vezes mergulho, digo-vos desde já, que não há em mim aquilo que muitos chamarão espírito de sacrifício.
Obviamente que muitos há que julgam este de enorme necessidade. Sem ele não se ganha o céu. Hum... Ganhar o céu? Por norma, não jogo. Logo não ganho nem perco.
Mas não posso deixar de me interrogar. Eles, aqueles que querem ganhar o céu, onde pensam que estão?
Se não me engano, ainda há milésimos de segundo atrás, habitávamos o planeta Terra. Sendo que este faz parte de um sistema solar de uma respeitosa galáxia, denominada Via Láctea.
Esta é apenas mais uma do universo. O tal. O céu.
Assim sendo, pensaram eles que estão num universo paralelo?
Quanto a mim vos digo que sei bem onde estou. No centro de Lisboa. Quanto a vós não sei. Sei que não estão aqui. Se tal fosse, teriam desde já o apocalíptico rótulo, com que este vosso humilde blog, se veste e reveste.
E após estas vagas e espreguiçadas palavras, digo com absoluta e não menos arcaica verdade estou no céu !!!!
(pequena gargalhada interior)

Espanto mágico, espanto meu

Para meu enorme espanto, assisti algures no tempo, num qualquer canal generalista, a uma hilariante e chocante reportagem. Uma habitante de nosso estimado e ilustre e amado país, nascida num qualquer médio oriente, se a memória não me trai, pretendia obter nacionalidade portuguesa. Sujeita a quase "pidescos" interrogatórios, não foi capaz de cantarolar o nosso hino, não sabia qual o menu tradicional da época natalícia, entre outras ignorâncias atrozes. Daí, jamais poderia ser portuguesa. Seguidamente a referida reportagem, quase me leva a uma simples possessão demoníaca. Entrevistados vários ilustres portugueses, verificamos que um tal senhor Camões, era um tal que não tinha um olho. E não bastasse tão erudito esclarecimento, alguém de BI amarelado, com a nacionalidade pretendida, afirma com certeza inabalável: "Foi um Rei". Compreendemos. Há um não sei quê, não pessoano, mas sim lógico, nas abastadas respostas. Já dizia o nosso tradicional e proverbial povo, "em terra de cegos quem tem olho é rei". Perante tal silogismo só nos resta confirmar. Camões não tinha um olho, logo Camões foi rei. Agora deveriamos punirmo-nos, por deixar estes cidadãos ostentarem a nossa nacionalidade. Penso que eles serão de certeza, "crânianos". Não, não me esqueci do "u". Nem sequer pretendo qualquer ironia. Apenas acho que alguém lhes vai retirar a nacionalidade portuguesa. Assim sugiro que nos seus BI's, e após severos interrogatórios os atrozmente reprovados, mas nascidos em território português, passem a ter nacionalidade "crâniana".

quarta-feira, julho 26, 2006

Voltando ao principio

O primeiro segundo Nascia o universo Os átomos tinham as primeiras Odes Estava quase tudo dito Mas faltou-lhes a máquina de Escrever Voltando ao princípio...

Nevoeiro

o nevoeiro levantou cedo onde está o mar? Não há ondas no teu cabelo hoje não há tempestades nem o arco-iris veio o medo passou ao lado

Côr de neve

o fogo acorda a memória o passado está na fotografia que não ficou e traços nervosos de lápis indecisos nascem numa folha côr de neve mas tudo se apaga

Palavra rasgada

mergulhas na aguarela em que vives acordo num relâmpago e deixo-te na mão uma palavra rasgada fica tudo para amanhã

Contagem decrescente

era a hesitação dos violinos que nos dava a leveza de um sentimento novo e começa a contagem decrescente

O mundo é breve

O mundo é breve Os minutos Não deixam eco Evaporam-se E não adianta Atrasar a vida Tropessando No futuro

A noite veio mais cedo

sem aparente razão a noite veio mais cedo as abelhas largaram as asas e foram a pé ficou no mel a doce vertigem de querer mais

Semente

Quando tudo começa há os olhos a vida renasce esgota-se a rotina a semente germina as raízes evoluem mas um dia comeremos a semente chamando-lhe pão

Quase outono

As folhas vestem a côr oriental E escorregam pelo ar sinfónico Do quase outono É Setembro e um pássaro deixa no azul um poema em linha recta

No princípio...

Recebo um mail, convidando-me a navegar por mares “mal frequentados”. Sem hesitar, sem medos nem receios, logo mergulhei nesse mar de quase “escárnio e mal dizer”, que em geral tanto nos apraz. É-nos intrínseco. Jamais conseguiriamos viver sem dizer mal. Seja do que for. Dizer mal, faz-nos bem. E se dissermos mal, dos que o dizem, far-nos-á, ainda melhor. Mas não vos vou incomodar com estas simples divagações. Opto por não dizer, mal. E não querendo contudo fazer um elogio da loucura, ou do que quer que seja, começarei este não bife, mas sim blog, como sendo bem passado. E sempre a assapar, entro num construtor de blogs, e alguém pergunta: “- Quer o seu bem ou mal passado?” Ao que respondo com natural e vegetal veemência, bem passado !! Mas estando tudo a correr tão esplendorosamente bem, ouço duas ilustres personagens comentarem: -“Este lugar é muito bem frequentado.” E sinto uma compulsiva vontade de partir. Não para parte incerta. Mas sim partir algumas trombas de bem comportados que por aí se esgueirão, fazendo-nos acreditar que de boas intenções está o inferno cheio. É mentira !!! Todos sabemos que o inferno... não existe. Se existisse, já dizia o Sr. S..., seriam os outros. Os tais. Assim sendo, quero inaugurar este meu espaço, fazendo um enorme elogio, ao espaço televisivo, cujo nome ou nomes não cito, mas que nos presenteia após o jantar com tão doce história quase histérica de principescos pseudo-mais-ou-menos nórdicos, que mais parecem surgir dum qualquer pós-coma (ou seja após a hora de jantar), e que embalam as criancinhas (embaladas herméticamente). E todos dizem que as crianças adoram. Talvez algumas. Não todas.
Mas não quero alongar-me mais. Por agora é tudo.