Agora que tudo acalmou, a tempestade passou ao lado, escrevo o que não passou pelo papel.
Coincidências, premunições, não sei. Mas vi-te. Não uma, não duas mas três vezes. Calculava que isso aconteceria. Ontem. E não foi só a distância de um anfiteatro. Foi muito menos.
Passaste por mim. E a percepção da minha invisibilidade, em ti, deu-me a dualidade do respirar de alivio, e da dor. Tão profunda que não podia imaginar, que tal houvesse. Não sabes quem sou. Não o saberás nunca.
E continuo como uma extensão de quaisquer partes do edificio, nobremente vetusto. Também finjo não te ver. Cumprimentas alguém e passas pausadamente, como quem procura algo. Mas isto só na minha célere imaginação. Que velozmente se apressa em procurar interrogações.
E chegam as esperadas duas horas. E chega o seu final. Quando arautos da desgraça, anúnciam a tua presença. O teu nome. Gritaram o teu nome. Estavas à porta da sala. E saí no meio da multidão, num esforço brutal, conseguido em fracções milionésimas de eternos segundos, passar invisivelmente por ti.
Mas reparei que escutavas inquietamente, conversas não menos interessantes que estas letras. Esperavas algo, alguém, qualquer coisa.
Um cavaleiro alado num não menos cavalo branco? Esperavas ver o autor de palavras, estas ou quaisquer outras? Esperavas a listagem dos nossos nomes, procurando infinitas letras, que te levassem a mim?
Não me encontrarias.
Só aqui me verás. Se algum dia por aqui passares.
E pergunto será assim todas as semanas, hoje foi uma coincidência?
Talvez. Não tenho respostas. Nunca as terei.
Pesca-me. Como só tu sabes. Sem redes ou linhas.Tira-me, retira-me ao meu Tejo. Como um pequeno peixe. Entorpece-me, como aos teus pequenos peixes.
E devolve-me a liberdade...
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